Minha rua tem um silêncio longe
Silêncio de cúmplice
Nela não se toca mais o tambor de Montello
Nem nada mais
Os batuques são longe
Poucas pontes daqui
Mas nossa rua é só silêncio
Silêncio de cúmplice
Talvez o mar tenha se afastado dela
Ou a brisa não é a mais a mesma
Quem sabe como anda o correr da chuva?
Ou o simples empoeirar do tempo passando?
Como será que anda o calor
E o seu dilatar inexorável?
A quanta brota o mato por entre brechas
Quase inexistentes?
A que pernas correm o tempo,
Corre o dia, corre a noite?
A quantos gritos se desfazem infâncias,
Se fazem amores e crianças?
E a rua e seu silêncio.
Silêncio de cúmplice.
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