sábado, 19 de abril de 2008

Minha rua

Minha rua tem um silêncio longe
Silêncio de cúmplice
Nela não se toca mais o tambor de Montello
Nem nada mais

Os batuques são longe
Poucas pontes daqui
Mas nossa rua é só silêncio
Silêncio de cúmplice

Talvez o mar tenha se afastado dela
Ou a brisa não é a mais a mesma
Quem sabe como anda o correr da chuva?
Ou o simples empoeirar do tempo passando?
Como será que anda o calor
E o seu dilatar inexorável?
A quanta brota o mato por entre brechas
Quase inexistentes?
A que pernas correm o tempo,
Corre o dia, corre a noite?
A quantos gritos se desfazem infâncias,
Se fazem amores e crianças?

E a rua e seu silêncio.
Silêncio de cúmplice.

Havia só o silêncio

Havia só o silêncio
E um peso na cabeça
Apesar da conversa próxima
Apesar das crianças
Só havia o silêncio.
E um peso na cabeça.

Apesar do tilintar de copos
E dos passar dos carros
Apesar do bater de portas
E do afastar de mesas
Apesar das brigas dos gatos
Do abrir e fechar do portão
Dos uivos distantes
E da música baixinha
Havia só o silêncio
E um peso na cabeça
Apesar da felicidade óbvia
E de toda comemoração
Só havia o silêncio
E um imenso peso na cabeça.

domingo, 6 de abril de 2008

Pássaros em sons portáteis

Pássaros presos em sons portáteis
Passos lentos
Idéias voláteis

Bichos presos em papéis pregados
Sonhos fixos
Braços pesados

Olhos cegos em 15 polegadas
Mente parada
Pele rasgada

Pessoas-máquinas apenas passando
Ossos de ferro
Corações parando

- O concreto precisa de mais poesia.