segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Calor

Um calor ruidoso encobre a cidade
Em peles encharcadas,
Vizinhos se trancam,
Fechando-se em seus ares condicionados
Mais frescos, que roncam.

A cidade sua, anda de um lado a outro
Se põe nas portas, nos corredores, nas varandas
Tenta canalizar o que não há
Abana-se com jornais velhos
Vai à bica tentar amenizar.

Os jardins se esturricam, secos
Os canteiros morrem
Os grilos gritam por socorro
Num matagal seco, numa poça de água servida
Em qualquer desses morros.

Mas o barulho do mar, bem ao longe
Nos põe na mente a brisa,
A água gelada, a cerveja também
E enquanto a cidade ferve e derrete
Pensa no domingo que vem.