domingo, 28 de outubro de 2007

...essas noites

São essas noites

São essas noites
que fazem a poesia
Nunca foram os poetas
São noites assim

São essas noites
e nossas heresias
Que derrubam cometas
E fazem felizes fins

São essas noites
que fazem a poesia
Nunca foram os poetas


Leito de manjericão

Ah se eu deitasse
nesse leito de manjericão
e pudesse ler
as entrelinhas noturnas do Maranhão

Se eu pudesse
eu tocava pandeirão
Se eu pudesse
tinha maracá na mão

Ah se eu pudesse
sonhar esses sonhos de manjericão

sábado, 20 de outubro de 2007

Pessoas Minhas

Ainda bem

É mesmo, seu juiz
A vida lhe pede às vezes
Um sonoroso foda-se
E, ainda bem,
Você não conhece a anchova na brasa
Nem o cuxá e seu arroz
Você não conhece Xico Noca....
Ah, ainda bem!
Ainda bem que não conhece o Bar do Léo
Não conhece o Antigamente
O Reviver e suas ruas de pedra e luz
A Rua da Estrela
Não conhece o Palácio dos Leões
Ave Maria, ainda bem!
Ainda bem que você não conhece Ribamar
A Maioba, Panaquatira
Não conhece Morros, Carolina
Ah meu Deus, os Lençóis....
Ufa, ainda bem.
Nem o sotaque de matraca,
O da Zabumba
Nem o da orquestra
Não conhece a ilha bela
- Que ilha bela!
Graças, ainda bem.
Porque se conheces
Meu grande chapa:
Diria um foda-se também
E virias pro Mará!


Irmãos

Relevemos o sangue
e até o DNA
Relevemos o nascimento,
a criação, o casamento
Relevemos o se criar

Não sei como,
onde, nem porquê
Se somos loucos ou sãos
Mas somos piu irmãos
Como nenhum de carne
Poderia nunca ser.


Cadê Letícia

Cadê Letícia?
Esconde-se na varanda
no brasileirinho que a mãe queria ter
Cadê Letícia?

Cadê Letícia?
Atrás do gato ou do muro
Criança linda que eu queria ser
Cadê Letícia?

Cadê Letícia?
Enquanto o mundo se tenta melhor
Ela é perfeita só em ser
Cadê Letícia?


Que não fosse....

Que não fosse essa rede
que embalasse seu sono
que fosse a brisa maranhense

Que não fosse a minha companhia bêbada
que velasse seu sono
que fosse a lua reluzente

Que não fosse essa tranqüilidade de ilhéu
que permitisse seu sono
que fosse o silencio permanente

Que não fosse esse brilho antigo
e esse calor uníssono
Queria que sonhasses comigo.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Céu Pagão

A vida tem me metido medo
Por isso escondo-me
Tão amostra, tão visto

A sorte tem partido cedo
Por isso peço-te
Não vá, não venha

Quero entender-me, azedo
Por isso provo-te
Tão doce, tão doce

Assim entendo, engano, ledo
Que te tive
Tão toda, tão minha

Mas fostes,
Nem minha,
Nem dele,
Fostes tua,
Só tua,
Como merecias a tempo

Fostes vida,
Só vida
Que nem o choro
Nem o gozo,
Te trouxeram ao chão
Eras deuza,
De um céu pagão.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Amante

Seja minha amante
Assim, com tudo
Assim como sou
Seja minha amante

Seja minha amante
Deixe-me tudo
Permita-me tudo
Seja minha amante

Seja minha amante
E de minhas mazelas
E dos meus vícios
Seja minha amante

Seja,
Simplesmente seja
E sendo tu
Serei eu
Para sempre
Teu amante

Pois o amor é do amante
E não do amado
Pois o amor
Só é amor
Minha amante
Do teu lado