O vinho barato
parado no copo
Assiste
O tempo passado
em seu relógio
Persiste
Um tic-tac impassível
Uma lucidez impossível
Há algo impresso no ar
O velho presente
pelo menos nos loucos
Existe
E o tempo ausente
nem tanto, mas aos poucos
Desiste
Sua permissão incrível
Sua vastidão invisível
Há algo impossível em amar
E enquanto
até os anjos dormem
A vida se refaz
Num beijo, num boa noite
Num olhar para trás
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