Esses vidros de correr
Nesses quartos lotados
De livros e de estórias
Segredos em papéis mofados
Traz-me almas suicidas e loucas
Poleiros sujos
Celas próprias aglomeradas
De rostos e dentes
Doentes e amarelados
Mostra-me essa tua voz rouca
Grades e telas
Não deixam o salto desejado
Por tantos e por todos
Ao chão seco e azulejado
Bate-me tuas asas pequenas e poucas
Das TVs – os poucos sonhos
Tesos e aleijados
E no horizonte lindo
A beleza e o legado
Abre teus ouvidos moucos!
E nesse estado inerte
Acorda-te cedo e faz teu dinheiro
E desde que o acerte
Volta a casa, deita no poleiro
Somos pardais nesse viveiro
De dor e pouca sorte
E se deixamos alguma coisa por inteiro
É a nossa própria morte.
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