domingo, 23 de setembro de 2007

Bloco B

Esses vidros de correr
Nesses quartos lotados
De livros e de estórias
Segredos em papéis mofados

Traz-me almas suicidas e loucas

Poleiros sujos
Celas próprias aglomeradas
De rostos e dentes
Doentes e amarelados

Mostra-me essa tua voz rouca

Grades e telas
Não deixam o salto desejado
Por tantos e por todos
Ao chão seco e azulejado

Bate-me tuas asas pequenas e poucas

Das TVs – os poucos sonhos
Tesos e aleijados
E no horizonte lindo
A beleza e o legado

Abre teus ouvidos moucos!

E nesse estado inerte
Acorda-te cedo e faz teu dinheiro

E desde que o acerte
Volta a casa, deita no poleiro

Somos pardais nesse viveiro
De dor e pouca sorte

E se deixamos alguma coisa por inteiro
É a nossa própria morte.

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