O vinho barato
parado no copo
Assiste
O tempo passado
em seu relógio
Persiste
Um tic-tac impassível
Uma lucidez impossível
Há algo impresso no ar
O velho presente
pelo menos nos loucos
Existe
E o tempo ausente
nem tanto, mas aos poucos
Desiste
Sua permissão incrível
Sua vastidão invisível
Há algo impossível em amar
E enquanto
até os anjos dormem
A vida se refaz
Num beijo, num boa noite
Num olhar para trás
domingo, 30 de setembro de 2007
segunda-feira, 24 de setembro de 2007
Os navios
Todos os navios viram-se
Para não ver as margens encharcarem-se
Dessas águas fáceis e salobras
Dadas pela lua branca
Todos negam-se a essa facilidade.
Para não ver as margens encharcarem-se
Dessas águas fáceis e salobras
Dadas pela lua branca
Todos negam-se a essa facilidade.
domingo, 23 de setembro de 2007
Quando esse mar chegar aos meus pés
Quando esse mar chegar aos meus pés
Irei!
Irei como chegar
À simples dúvida do viés
Dúvida!
Onde encontra-se a saída a correr sobre sua vista
Veja!
Onde turva-se tudo
E o carro corre contra o sentido normal da pista
E veja que a saída é sempre, sempre
Um beco
Sem-saída
Irei!
Irei como chegar
À simples dúvida do viés
Dúvida!
Onde encontra-se a saída a correr sobre sua vista
Veja!
Onde turva-se tudo
E o carro corre contra o sentido normal da pista
E veja que a saída é sempre, sempre
Um beco
Sem-saída
Bloco B
Esses vidros de correr
Nesses quartos lotados
De livros e de estórias
Segredos em papéis mofados
Traz-me almas suicidas e loucas
Poleiros sujos
Celas próprias aglomeradas
De rostos e dentes
Doentes e amarelados
Mostra-me essa tua voz rouca
Grades e telas
Não deixam o salto desejado
Por tantos e por todos
Ao chão seco e azulejado
Bate-me tuas asas pequenas e poucas
Das TVs – os poucos sonhos
Tesos e aleijados
E no horizonte lindo
A beleza e o legado
Abre teus ouvidos moucos!
E nesse estado inerte
Acorda-te cedo e faz teu dinheiro
E desde que o acerte
Volta a casa, deita no poleiro
Somos pardais nesse viveiro
De dor e pouca sorte
E se deixamos alguma coisa por inteiro
É a nossa própria morte.
Nesses quartos lotados
De livros e de estórias
Segredos em papéis mofados
Traz-me almas suicidas e loucas
Poleiros sujos
Celas próprias aglomeradas
De rostos e dentes
Doentes e amarelados
Mostra-me essa tua voz rouca
Grades e telas
Não deixam o salto desejado
Por tantos e por todos
Ao chão seco e azulejado
Bate-me tuas asas pequenas e poucas
Das TVs – os poucos sonhos
Tesos e aleijados
E no horizonte lindo
A beleza e o legado
Abre teus ouvidos moucos!
E nesse estado inerte
Acorda-te cedo e faz teu dinheiro
E desde que o acerte
Volta a casa, deita no poleiro
Somos pardais nesse viveiro
De dor e pouca sorte
E se deixamos alguma coisa por inteiro
É a nossa própria morte.
sábado, 22 de setembro de 2007
O Poema Cego
Os sons me invadem
Expelem suor pelos meus poros
Choros e risos me dividem
- Finjo que os ignoro
Odores me oprimem
- Quase os imploro
Que me sufoquem
Com a mesma gana que os devoro
Superfícies que me cortem
Tão rápido quanto me curo
Com os líquidos que me fogem
E as músicas que decoro
Os sabores que me ardem,
Esqueço quando afloro
Nos caminhos tortos que me perdem
Ou na noite eterna onde moro.
Expelem suor pelos meus poros
Choros e risos me dividem
- Finjo que os ignoro
Odores me oprimem
- Quase os imploro
Que me sufoquem
Com a mesma gana que os devoro
Superfícies que me cortem
Tão rápido quanto me curo
Com os líquidos que me fogem
E as músicas que decoro
Os sabores que me ardem,
Esqueço quando afloro
Nos caminhos tortos que me perdem
Ou na noite eterna onde moro.
quarta-feira, 19 de setembro de 2007
Luiza Almeida
Tragam-me todas as grandezas desse mundo
Que me venham as terras e terras dessa terra continental
Que venha o tamanho amazônico, o rio mar
Que venha o pacífico, oceano
Tragam-me em caminhões, e em que for necessário, todas as areias de todos os saaras
Toda altura do Himalaia
Tragam-me todos os grandes exércitos
Todos os navios gigantescos
Toda a ciência, toda filosofia
Que venha o bem, que venha o mal
Tragam-me todas as jazidas de ouro e diamantes da África
Tragam-me tudo o quanto é gigantesco
Tragam-me tudo! Tragam0-me todos!
Para ver a perfeição, linda, sem tamanho, infinita
Num pedacinho, tão pequeno, de gente.
Que me venham as terras e terras dessa terra continental
Que venha o tamanho amazônico, o rio mar
Que venha o pacífico, oceano
Tragam-me em caminhões, e em que for necessário, todas as areias de todos os saaras
Toda altura do Himalaia
Tragam-me todos os grandes exércitos
Todos os navios gigantescos
Toda a ciência, toda filosofia
Que venha o bem, que venha o mal
Tragam-me todas as jazidas de ouro e diamantes da África
Tragam-me tudo o quanto é gigantesco
Tragam-me tudo! Tragam0-me todos!
Para ver a perfeição, linda, sem tamanho, infinita
Num pedacinho, tão pequeno, de gente.
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