Inacabada (ou acabada as pressas, mas oportuna na data)
Como o tempo vem e me explode assim
No rosto lindo de Laís?
Me joga na cara os anos ociosos
Em dias azuis, curtos, anis
E que mais, Laís, me humilhas?
Não basta meus escassos cabelos?
Não basta minha idosa família?
Pro tempo, Laís, não se tem apelo.
E continuarão os dias
Correndo, assim, rápidos sutis
O presente fugindo do nosso tempo
Procurando o rosto lindo de Laís.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
sábado, 1 de dezembro de 2007
Indo para casa
O por do sol, eu vi pelo reflexo do vidro
Como se ele mesmo não existia
Eu o vi como se fosse uma imagem feita
Como que ele desistia
A vida eu vi pelo andar e passar
Daquela gente desconhecida
Indo e vindo de algum lugar
Passando assim desapercebida
Tanta gente indo
Tanta gente esperando
Tanto tudo que passa
Tudo sumindo
Tudo diminuindo:
Eu estou indo para casa
Como se ele mesmo não existia
Eu o vi como se fosse uma imagem feita
Como que ele desistia
A vida eu vi pelo andar e passar
Daquela gente desconhecida
Indo e vindo de algum lugar
Passando assim desapercebida
Tanta gente indo
Tanta gente esperando
Tanto tudo que passa
Tudo sumindo
Tudo diminuindo:
Eu estou indo para casa
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
Mundo de Cabeça de Criança
Sabedoria a tua
Sentar-se ao meio das flores
Brincando com suas pétalas
Com suas dores
E caminhar com seus passinhos
Curtos e ágeis
A viver de afagos
Doces e frágeis
Sabedoria a tua
Distribuir sorrisos e abraços
Prendendo seus loucos caídos
Em seus nós, em seus laços
E cair aos prantos
Ao mínimo desprazer
Pedindo manha
Pedindo lazer
Sabedoria a tua
Em suas cadeiras na calçada
Numa conversa inteligível
Sem pressa nem nada
Chamando-nos o nome
Gritando-nos sua vontade
Sabedoria, bastante, a tua
Trazer-me de volta
um mundo belo
Um mundo esquecido
Cheio de vida e esperança
Mundo de cabeça de criança.
Sentar-se ao meio das flores
Brincando com suas pétalas
Com suas dores
E caminhar com seus passinhos
Curtos e ágeis
A viver de afagos
Doces e frágeis
Sabedoria a tua
Distribuir sorrisos e abraços
Prendendo seus loucos caídos
Em seus nós, em seus laços
E cair aos prantos
Ao mínimo desprazer
Pedindo manha
Pedindo lazer
Sabedoria a tua
Em suas cadeiras na calçada
Numa conversa inteligível
Sem pressa nem nada
Chamando-nos o nome
Gritando-nos sua vontade
Sabedoria, bastante, a tua
Trazer-me de volta
um mundo belo
Um mundo esquecido
Cheio de vida e esperança
Mundo de cabeça de criança.
domingo, 4 de novembro de 2007
Soneto Torto
Macios meus sonhos teus
Como travesseiros de pena de ganso
Apara minha queda no breu
E acalma-me a ansiedade: manso
Macio meu pouso quando descanso
Mesmo com sonhos tolos de ateu
Dentro do caudaloso de idéias: remanso
Meu sonho, macio, teu
E perante minha toda incapacidade
Frente a milhares desses sábios
Será sempre lar de minha felicidade
Ao menos em sonhos,
Seus quentes e macios lábios
Como travesseiros de pena de ganso
Apara minha queda no breu
E acalma-me a ansiedade: manso
Macio meu pouso quando descanso
Mesmo com sonhos tolos de ateu
Dentro do caudaloso de idéias: remanso
Meu sonho, macio, teu
E perante minha toda incapacidade
Frente a milhares desses sábios
Será sempre lar de minha felicidade
Ao menos em sonhos,
Seus quentes e macios lábios
Soneto Torto
Macios meus sonhos teus
Como travesseiros de pena de ganso
Apara minha queda no breu
E acalma-me a ansiedade: manso
Macio meu pouso quando descanso
Mesmo com sonhos tolos de ateu
Dentro do caudaloso de idéias: remanso
Meu sonho, macio, teu
E perante minha toda incapacidade
Frente a milhares desses sábios
Será sempre lar de minha felicidade
Ao menos em sonhos,
Seus quentes e macios lábios
Como travesseiros de pena de ganso
Apara minha queda no breu
E acalma-me a ansiedade: manso
Macio meu pouso quando descanso
Mesmo com sonhos tolos de ateu
Dentro do caudaloso de idéias: remanso
Meu sonho, macio, teu
E perante minha toda incapacidade
Frente a milhares desses sábios
Será sempre lar de minha felicidade
Ao menos em sonhos,
Seus quentes e macios lábios
domingo, 28 de outubro de 2007
...essas noites
São essas noites
São essas noites
que fazem a poesia
Nunca foram os poetas
São noites assim
São essas noites
e nossas heresias
Que derrubam cometas
E fazem felizes fins
São essas noites
que fazem a poesia
Nunca foram os poetas
Leito de manjericão
Ah se eu deitasse
nesse leito de manjericão
e pudesse ler
as entrelinhas noturnas do Maranhão
Se eu pudesse
eu tocava pandeirão
Se eu pudesse
tinha maracá na mão
Ah se eu pudesse
sonhar esses sonhos de manjericão
São essas noites
que fazem a poesia
Nunca foram os poetas
São noites assim
São essas noites
e nossas heresias
Que derrubam cometas
E fazem felizes fins
São essas noites
que fazem a poesia
Nunca foram os poetas
Leito de manjericão
Ah se eu deitasse
nesse leito de manjericão
e pudesse ler
as entrelinhas noturnas do Maranhão
Se eu pudesse
eu tocava pandeirão
Se eu pudesse
tinha maracá na mão
Ah se eu pudesse
sonhar esses sonhos de manjericão
sábado, 20 de outubro de 2007
Pessoas Minhas
Ainda bem
É mesmo, seu juiz
A vida lhe pede às vezes
Um sonoroso foda-se
E, ainda bem,
Você não conhece a anchova na brasa
Nem o cuxá e seu arroz
Você não conhece Xico Noca....
Ah, ainda bem!
Ainda bem que não conhece o Bar do Léo
Não conhece o Antigamente
O Reviver e suas ruas de pedra e luz
A Rua da Estrela
Não conhece o Palácio dos Leões
Ave Maria, ainda bem!
Ainda bem que você não conhece Ribamar
A Maioba, Panaquatira
Não conhece Morros, Carolina
Ah meu Deus, os Lençóis....
Ufa, ainda bem.
Nem o sotaque de matraca,
O da Zabumba
Nem o da orquestra
Não conhece a ilha bela
- Que ilha bela!
Graças, ainda bem.
Porque se conheces
Meu grande chapa:
Diria um foda-se também
E virias pro Mará!
Irmãos
Relevemos o sangue
e até o DNA
Relevemos o nascimento,
a criação, o casamento
Relevemos o se criar
Não sei como,
onde, nem porquê
Se somos loucos ou sãos
Mas somos piu irmãos
Como nenhum de carne
Poderia nunca ser.
Cadê Letícia
Cadê Letícia?
Esconde-se na varanda
no brasileirinho que a mãe queria ter
Cadê Letícia?
Cadê Letícia?
Atrás do gato ou do muro
Criança linda que eu queria ser
Cadê Letícia?
Cadê Letícia?
Enquanto o mundo se tenta melhor
Ela é perfeita só em ser
Cadê Letícia?
Que não fosse....
Que não fosse essa rede
que embalasse seu sono
que fosse a brisa maranhense
Que não fosse a minha companhia bêbada
que velasse seu sono
que fosse a lua reluzente
Que não fosse essa tranqüilidade de ilhéu
que permitisse seu sono
que fosse o silencio permanente
Que não fosse esse brilho antigo
e esse calor uníssono
Queria que sonhasses comigo.
É mesmo, seu juiz
A vida lhe pede às vezes
Um sonoroso foda-se
E, ainda bem,
Você não conhece a anchova na brasa
Nem o cuxá e seu arroz
Você não conhece Xico Noca....
Ah, ainda bem!
Ainda bem que não conhece o Bar do Léo
Não conhece o Antigamente
O Reviver e suas ruas de pedra e luz
A Rua da Estrela
Não conhece o Palácio dos Leões
Ave Maria, ainda bem!
Ainda bem que você não conhece Ribamar
A Maioba, Panaquatira
Não conhece Morros, Carolina
Ah meu Deus, os Lençóis....
Ufa, ainda bem.
Nem o sotaque de matraca,
O da Zabumba
Nem o da orquestra
Não conhece a ilha bela
- Que ilha bela!
Graças, ainda bem.
Porque se conheces
Meu grande chapa:
Diria um foda-se também
E virias pro Mará!
Irmãos
Relevemos o sangue
e até o DNA
Relevemos o nascimento,
a criação, o casamento
Relevemos o se criar
Não sei como,
onde, nem porquê
Se somos loucos ou sãos
Mas somos piu irmãos
Como nenhum de carne
Poderia nunca ser.
Cadê Letícia
Cadê Letícia?
Esconde-se na varanda
no brasileirinho que a mãe queria ter
Cadê Letícia?
Cadê Letícia?
Atrás do gato ou do muro
Criança linda que eu queria ser
Cadê Letícia?
Cadê Letícia?
Enquanto o mundo se tenta melhor
Ela é perfeita só em ser
Cadê Letícia?
Que não fosse....
Que não fosse essa rede
que embalasse seu sono
que fosse a brisa maranhense
Que não fosse a minha companhia bêbada
que velasse seu sono
que fosse a lua reluzente
Que não fosse essa tranqüilidade de ilhéu
que permitisse seu sono
que fosse o silencio permanente
Que não fosse esse brilho antigo
e esse calor uníssono
Queria que sonhasses comigo.
sexta-feira, 12 de outubro de 2007
Céu Pagão
A vida tem me metido medo
Por isso escondo-me
Tão amostra, tão visto
A sorte tem partido cedo
Por isso peço-te
Não vá, não venha
Quero entender-me, azedo
Por isso provo-te
Tão doce, tão doce
Assim entendo, engano, ledo
Que te tive
Tão toda, tão minha
Mas fostes,
Nem minha,
Nem dele,
Fostes tua,
Só tua,
Como merecias a tempo
Fostes vida,
Só vida
Que nem o choro
Nem o gozo,
Te trouxeram ao chão
Eras deuza,
De um céu pagão.
Por isso escondo-me
Tão amostra, tão visto
A sorte tem partido cedo
Por isso peço-te
Não vá, não venha
Quero entender-me, azedo
Por isso provo-te
Tão doce, tão doce
Assim entendo, engano, ledo
Que te tive
Tão toda, tão minha
Mas fostes,
Nem minha,
Nem dele,
Fostes tua,
Só tua,
Como merecias a tempo
Fostes vida,
Só vida
Que nem o choro
Nem o gozo,
Te trouxeram ao chão
Eras deuza,
De um céu pagão.
quinta-feira, 4 de outubro de 2007
Amante
Seja minha amante
Assim, com tudo
Assim como sou
Seja minha amante
Seja minha amante
Deixe-me tudo
Permita-me tudo
Seja minha amante
Seja minha amante
E de minhas mazelas
E dos meus vícios
Seja minha amante
Seja,
Simplesmente seja
E sendo tu
Serei eu
Para sempre
Teu amante
Pois o amor é do amante
E não do amado
Pois o amor
Só é amor
Minha amante
Do teu lado
Assim, com tudo
Assim como sou
Seja minha amante
Seja minha amante
Deixe-me tudo
Permita-me tudo
Seja minha amante
Seja minha amante
E de minhas mazelas
E dos meus vícios
Seja minha amante
Seja,
Simplesmente seja
E sendo tu
Serei eu
Para sempre
Teu amante
Pois o amor é do amante
E não do amado
Pois o amor
Só é amor
Minha amante
Do teu lado
domingo, 30 de setembro de 2007
O vinho
O vinho barato
parado no copo
Assiste
O tempo passado
em seu relógio
Persiste
Um tic-tac impassível
Uma lucidez impossível
Há algo impresso no ar
O velho presente
pelo menos nos loucos
Existe
E o tempo ausente
nem tanto, mas aos poucos
Desiste
Sua permissão incrível
Sua vastidão invisível
Há algo impossível em amar
E enquanto
até os anjos dormem
A vida se refaz
Num beijo, num boa noite
Num olhar para trás
parado no copo
Assiste
O tempo passado
em seu relógio
Persiste
Um tic-tac impassível
Uma lucidez impossível
Há algo impresso no ar
O velho presente
pelo menos nos loucos
Existe
E o tempo ausente
nem tanto, mas aos poucos
Desiste
Sua permissão incrível
Sua vastidão invisível
Há algo impossível em amar
E enquanto
até os anjos dormem
A vida se refaz
Num beijo, num boa noite
Num olhar para trás
segunda-feira, 24 de setembro de 2007
Os navios
Todos os navios viram-se
Para não ver as margens encharcarem-se
Dessas águas fáceis e salobras
Dadas pela lua branca
Todos negam-se a essa facilidade.
Para não ver as margens encharcarem-se
Dessas águas fáceis e salobras
Dadas pela lua branca
Todos negam-se a essa facilidade.
domingo, 23 de setembro de 2007
Quando esse mar chegar aos meus pés
Quando esse mar chegar aos meus pés
Irei!
Irei como chegar
À simples dúvida do viés
Dúvida!
Onde encontra-se a saída a correr sobre sua vista
Veja!
Onde turva-se tudo
E o carro corre contra o sentido normal da pista
E veja que a saída é sempre, sempre
Um beco
Sem-saída
Irei!
Irei como chegar
À simples dúvida do viés
Dúvida!
Onde encontra-se a saída a correr sobre sua vista
Veja!
Onde turva-se tudo
E o carro corre contra o sentido normal da pista
E veja que a saída é sempre, sempre
Um beco
Sem-saída
Bloco B
Esses vidros de correr
Nesses quartos lotados
De livros e de estórias
Segredos em papéis mofados
Traz-me almas suicidas e loucas
Poleiros sujos
Celas próprias aglomeradas
De rostos e dentes
Doentes e amarelados
Mostra-me essa tua voz rouca
Grades e telas
Não deixam o salto desejado
Por tantos e por todos
Ao chão seco e azulejado
Bate-me tuas asas pequenas e poucas
Das TVs – os poucos sonhos
Tesos e aleijados
E no horizonte lindo
A beleza e o legado
Abre teus ouvidos moucos!
E nesse estado inerte
Acorda-te cedo e faz teu dinheiro
E desde que o acerte
Volta a casa, deita no poleiro
Somos pardais nesse viveiro
De dor e pouca sorte
E se deixamos alguma coisa por inteiro
É a nossa própria morte.
Nesses quartos lotados
De livros e de estórias
Segredos em papéis mofados
Traz-me almas suicidas e loucas
Poleiros sujos
Celas próprias aglomeradas
De rostos e dentes
Doentes e amarelados
Mostra-me essa tua voz rouca
Grades e telas
Não deixam o salto desejado
Por tantos e por todos
Ao chão seco e azulejado
Bate-me tuas asas pequenas e poucas
Das TVs – os poucos sonhos
Tesos e aleijados
E no horizonte lindo
A beleza e o legado
Abre teus ouvidos moucos!
E nesse estado inerte
Acorda-te cedo e faz teu dinheiro
E desde que o acerte
Volta a casa, deita no poleiro
Somos pardais nesse viveiro
De dor e pouca sorte
E se deixamos alguma coisa por inteiro
É a nossa própria morte.
sábado, 22 de setembro de 2007
O Poema Cego
Os sons me invadem
Expelem suor pelos meus poros
Choros e risos me dividem
- Finjo que os ignoro
Odores me oprimem
- Quase os imploro
Que me sufoquem
Com a mesma gana que os devoro
Superfícies que me cortem
Tão rápido quanto me curo
Com os líquidos que me fogem
E as músicas que decoro
Os sabores que me ardem,
Esqueço quando afloro
Nos caminhos tortos que me perdem
Ou na noite eterna onde moro.
Expelem suor pelos meus poros
Choros e risos me dividem
- Finjo que os ignoro
Odores me oprimem
- Quase os imploro
Que me sufoquem
Com a mesma gana que os devoro
Superfícies que me cortem
Tão rápido quanto me curo
Com os líquidos que me fogem
E as músicas que decoro
Os sabores que me ardem,
Esqueço quando afloro
Nos caminhos tortos que me perdem
Ou na noite eterna onde moro.
quarta-feira, 19 de setembro de 2007
Luiza Almeida
Tragam-me todas as grandezas desse mundo
Que me venham as terras e terras dessa terra continental
Que venha o tamanho amazônico, o rio mar
Que venha o pacífico, oceano
Tragam-me em caminhões, e em que for necessário, todas as areias de todos os saaras
Toda altura do Himalaia
Tragam-me todos os grandes exércitos
Todos os navios gigantescos
Toda a ciência, toda filosofia
Que venha o bem, que venha o mal
Tragam-me todas as jazidas de ouro e diamantes da África
Tragam-me tudo o quanto é gigantesco
Tragam-me tudo! Tragam0-me todos!
Para ver a perfeição, linda, sem tamanho, infinita
Num pedacinho, tão pequeno, de gente.
Que me venham as terras e terras dessa terra continental
Que venha o tamanho amazônico, o rio mar
Que venha o pacífico, oceano
Tragam-me em caminhões, e em que for necessário, todas as areias de todos os saaras
Toda altura do Himalaia
Tragam-me todos os grandes exércitos
Todos os navios gigantescos
Toda a ciência, toda filosofia
Que venha o bem, que venha o mal
Tragam-me todas as jazidas de ouro e diamantes da África
Tragam-me tudo o quanto é gigantesco
Tragam-me tudo! Tragam0-me todos!
Para ver a perfeição, linda, sem tamanho, infinita
Num pedacinho, tão pequeno, de gente.
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